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jonas-node — Companheira para a noite
Published: 2005-06-05 03:22:02 +0000 UTC; Views: 203; Favourites: 0; Downloads: 12
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Description Levanto-me da cama dum sono inacabado, um pensamento na minha cabeça não me deixa dormir. A noite calma é um conforto para os meus pensamentos, deixa-me estar em paz e dá-me todo o tempo que preciso. Acendo a televisão que está no meu quarto, ligo-me na net e vejo quem está online.
Ninguém. Ninguém com quem falar... mas também não esperava outra coisas a estas horas da madrugada. Vejo um filme inútil sobre qualquer coisa que não me lembro, ao menos serve para entreter os meus olhos. Procuro o meu maço de tabaco e tiro um cigarro, vou ao bolso das minhas calças e tiro o meu isqueiro. Abro a janela e só quando o meu corpo leva com uma brisa fria é que me lembro do calor que tinha. Estremeço um pouco e o meu corpo habitua-se ao frio da noite. Acendo o cigarro, encosto-me no parapeito e olho para baixo. Sinto-me tão pequeno como tudo aquilo que vejo do meu sétimo andar. Fumo o cigarro olhando para o escuro horizonte k daqui a poucas horas será o berço do novo dia. Acabo o cigarro e mando-o janela fora, com esperança que acerte num carro e que ele expluda... ao menos algo interessante acontecia.
Mesmo com os pais a dormir no quarto ao lado, agarro na viola e sento-me na cama. Passo os dedos nas cordas ásperas e notas e tablaturas vem-me instintivamente a cabeça. Toco baixinho para ninguém me vir chatear por causa do barulho. A certo ponto, as mãos encaixam no ritmo da musica e já nem preciso de pensar nelas, elas mexem-se sozinhas.
O meu pensamento entretanto desvia-se para o que não me deixa dormir e imediatamente uma nota falha, trespassando os meus tímpanos. Só agora me apercebo que devo ter ficado meia-hora a tocar. Os meus dedos doem, os meus pulsos estão quentes, as pontas dos meus dedos ardem.
Poiso a guitarra na cama e olho para o vazio, e fico assim tanto tempo quanto ficar.
Levo o dedo a boca para acalmar o ardor... O sabor a metal deixado no dedo pelas cordas envenena a minha língua. No entanto, o que me preocupava não me preocupa mais. Nada de curas milagrosas ou livros com frases que mudam a vida ou programas de psicologia que nos explicam como devemos pensar. O simples facto de ter estado acompanhado pela minha viola bastou. Guardo-a no seu estojo, vou buscar mais um cigarro e volto para a janela. Mas agora já consigo sorrir. E decidi não dormir mais... não quero perder o nascer do sol. Depois disso talvez volte para a cama...
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