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Prekr — Primeiro Capitulo by-nc-sa
Published: 2011-02-24 17:02:41 +0000 UTC; Views: 486; Favourites: 0; Downloads: 2
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Description Juntando-se as Fileiras
O recrutador anunciava a oferta - Juntem-se a Aurora Prateada! Duzentas peças de ouro como salário! Desconto na compra de peças mágicas! E uma promissora carreira militar!
Era um homem com seus trinta e cinco anos, cabelos castanhos escuros e com uma barba de mesma cor que cobria-lhe o rosto. Usava uma cota de malha de mitril e por cima desta um camisão branco com o símbolo da Aurora Prateada - uma linha horizontal que ficava abaixo de uma semi esfera e por cima desta linhas que saiam na diagonal e na vertical, de fato era um sol levantando-se - fora outros equipamentos como calça, casaco de couro, que usava por baixo da cota de malha, as luvas e botas.
Junto a ele existia um escudeiro com as mesmas roupas, mas segurando um enorme escudo de corpo e com uma espada longa presa em um bainha na cintura. Toda pessoa interessada que aproximava-se do recrutador recebia instruções do escudeiro. Eram sempre as mesmas palavras - Junte seus pertences, despeda-se de seus conhecidos e vá para o lado de fora da cidade.
Os aventureiros faziam como instruídos, indo até suas casas ou quartos alugados, juntando seus pertences e despedindo-se das pessoas que conheciam. Alguns iam até o banco retirar ou depositar dinheiro e outros pertences, mas ao fim todos dirigiam-se até a saída da cidade. E quando chegavam do lado de fora deparavam-se com uma multidão de indivíduos que estavam ali com o mesmo objetivo que os deles.
Não demorou muito para finalmente aproximar-se um grupo de cavaleiros trazendo consigo em torno de cinquenta cavalos. Os cavaleiros eram apenas cinco, onde quatro escoltavam os cinquenta cavalos e o quinto aproximava-se do grupo de aventureiros. Era um anão montado em uma montaria típica de sua raça, que aos olhos das demais raças era nada mais de um bode maior. O nome atribuido a esta montaria pelos anões era Ged Staerk, ou apenas Staerk, e era um animal um pouco menor que um cavalo, porém mais musculoso e com um pelo grosso para aguentar baixas temperaturas. O bar de chifres que saia de sua cabeça era enorme e dava duas voltas, o que na visão dos anões é sinal de grande poder, uma vez que é algo raro de se encontrar.
O guerreiro anão vestindo uma armadura que cobria-lhe o peitoral e os braços, e o restante sendo protegido por cota de malha de adamantiun, observou os recrutas. Por alto contava-se uns cem talvez mais, e isso seria um problema logo que ele possuía apenas cinquenta cavalos. Mas não demonstrou sua preocupação, preferindo realizar um pequeno discurso, onde pretendia selecionar apenas os melhores recrutas.
Sua voz era grave e parecia conter muita experiência , algo comum entre os anões - Fico feliz em ver tantos interessados em se juntar as fileiras da Aurora Prateada! Não duvido que todos aqui estão cientes dos perigos que iremos enfrentar a fim de chegar na capital de nossa organização.
Um dos aventureiros que não havia compreendido o que foi dito perguntou - Nosso treinamento não será aqui?
O anão riu, e os outros cavaleiros que também eram anões juntaram-se. Aos poucos eles foram recuperando-se e voltando a observar os recrutas. O líder voltou a falar - Treinamento? Que treinamento?
O rapaz que havia perguntado, um pouco envergonhado agora, voltou a falar - Treinamento para lutar. Não haverá?
O anão retrucou - Não existe melhor treinamento se não a própria guerra. Vocês serão jogos no campo de batalha, e se for a vontade dos deuses, vocês irão sobreviver para contar histórias.
O medo espalhou-se pelos corações de muitos recrutas. Outro entre eles, demonstrando ser corajoso pronunciou-se - É? Que seja! E para onde iremos? Para o sul lutar contra os trolls?
Um sorriso brotou na face do líder anão e sua resposta foi sinistra - Iremos para o norte, enfrentar os mortos vivos que já dominam grande parte deste continente.
Sem maiores hesitações um grande número de aventureiros deus as costas para o anão e reconheu-se para dentro da cidade. Agora haviam apenas 43 recrutas, o que satisfazia o recrutador. Imediatamente o mesmo deu a ordem - Subam nos cavalos senhores e sonhoritas, temos muito caminho a frente.


Restava ainda uns vinte e cinco quilómetros de distância para ser percorrida. Estavam passando pelo segundo maior pântano que existia naquele continente, e devido os seus perigos era necessário manter o grupo unido. Durante a viagem houve a tentativa do grupo se entrosar, mas as distrações poderiam levar os integrantes a atrair muita atenção e por causa deste fator, o silêncio tornou-se predominante. Até que então escutou-se um choro de bebê.
Todos observaram em volta e foi avistado não muito longe dali um grupo de gnolls que cercavam um arbusto. O choro era intenso e tudo indicava que os gnolls estavam procurando pela criança para matá-la. O líder anão seguiu em frente não dando atenção para aquilo, e muitos recrutas o seguiram, mas houve aqueles que recusaram a ignorar um pedido de socorro. Estes desceram de seus cavalos e correram para o local. Eram seis, e mesmo não se conhecendo, desempenharam um ataque em grupo.
O clérigo pediu cobertura pois tentaria chegar até a criança para protegê-la. O paladino puxava seu martelo e batia com o mesmo no escudo visando atrair a atenção das crituras, ao seu lado corria em investida a guerreira. O arqueiro disparou três flechas visando acertar os gnolls mais robustos e dar cobertura para o grupo. O ladino corria logo atrás do paladino usando-o como cobertura. E lá atrás o feiticeiro usava de sua magia arcana para conjurar três mísseis arcanos e os disparava nos outros três gnolls que não foram acertados pelo arqueiro.
As criaturas sendo atacadas a distância voltavam sua atenção para grupo que moviam-se contra eles. Eram quatro guerreiros, um arqueiro e um xamã, que organizaram-se da melhor maneira possível e contra-atacaram. Dois guerreiros para o paladino e dois para a guerreira. O arqueiro virava sua atenção para o feiticeiro e o xamã para o clérigo. Os guerreiros aproveitaram-se de suas qualidades raciais de caninos e foram ágeis o bastante para desviar-se das investidas. O arqueiro possuia apenas uma besta e dado o seu tamanho foi incapaz de fazer um disparo decente contra o adversário. O xamã por sua vez ficou impedido magicamente de atacar o clérigo, como se o adversário tivesse alguma barreira divina o protegendo.
Fazendo-se uso de suas habilidades, o grupo conseguiu vencer as criaturas. O arqueiro focou-se no besteiro gnoll e acertou três flechas no corpo da criatura. O feiticeiro aproveitou-se da falta de atenção do xamã e lançava todos os seus mísseis mágicos. O ladino esguerou-se por trás dos guerreiros gnolls e aplicava golpes que os deixavam mais vulneráveis, permitindo o paladino e a guerreira de eleminá-los facilmente. E assim os monstros eram derrotados.
O grupo conseguiu resgatar o bebê, e o levara para as mãos do líder anão que os agradecia por sua coragem. O paladino questionou o anão - Por que o senhor não foi nos ajudar?
O anão nada respondeu virando-se e guiando o grupo. O grupo de aventureiros não gostou da atitude do recrutador, mas ficaram orgulhosos pelo que fizeram em conjunto. Eles então voltaram para a comitivia, e esta continuou viagem. O recrutador olhava para o bebê e comentava baixinho em sua língua - Mais uma vez muito obrigado pela ajuda. Agora sei quem desses vale a pena treinar.
A criança respondeu com a voz de um adulto - Fiz isso por outros motivos.
- E quais seriam estes?
- São interesses de outrem, e que prefere permanecer em anonimato.


Finalmente eles chegavam na única cidade portuária daquele pântano, onde três navios da Aurora Prateada estavam ancorados, esperando para levar os recrutas e veteranos para o norte. A cidade possuía uma muralha contra ataques vindos do continente, guarnecida por duas torres que formavam também o portão. As torres possuiam cada uma, quatro arqueiros cobrindo o exterior e interior da cidade, assim como dois canhões de 43 mm. A única construção militar além do portão e da muralha era o pequeno forte no centro da cidade.
Uma vez dentro da cidade os recrutas notaram a presença de muitos outros recrutas e veteranos. Haviam lá outras raças, o que levava a crer que outros recrutadores haviam realizado seu papel em trazer o máximo de soldados para as fileiras da organização. Notava-se que dos navios dois não eram naquele continente, logo havia militares vindo do outro lado do mar. Por alto, os recém chegados, poderiam contar por volta de umas mil e duzentas cabeças, que estavam ativas realizando tarefas como carregar os navios, preparar seus pertences ou simplesmente treinar para passar o tempo.
O líder anão afastou-se do grupo a fim de se reunir com os demais oficiais, deixando os recrutas realizarem o que bem desejassem. Alguns foram treinar, outros procuraram um bom blacksmith e alguns poucos foram ajudar em carregar os navios. Durante este tempo o líder anão foi capaz de se juntar aos oficiais no alto do forte. Chegando lá deparou-se com os principais líderes da Aurora Prateada e alguns outros oficiais de alta patente. Prestou continência e em seguida juntou-se a eles. Uma vez próximo do grupo depositou o bebê em cima de uma mesa. A criança em seguida começou a mudar de forma, aumentando de tamanho e transformando-se em um adulto. Era um homem com um metro e oitenta centímetros, de pele branca, cabeça raspada e seu corpo era coberto por estranhas tatuagens. O mais intrigante dele eram seus olhos que eram totalmente brancos, como se o mesmo fosse cego.
Abriu um sorriso e olhou os demais - Minha missão aqui está terminada, agora preciso partir, pois outros precisam ser achados. Muito obrigado pela sua ajuda Gimily.
Gimily, o anão recrutador, fez um gesto com a cabeça, mas voltou a questionar o indivíduo - Por que está fazendo isso? Quem é este teu mestre que demanda tais tarefas?
- Faço porque sou apenas um servo daquele que me criou, e é meu dever obedecer. Meu mestre é de longe o mais conhecido por todos nós, seres vivos, porém mais do que isso não posso dizer.
As respostas intrigaram Gimily assim como o restante dos oficiais. O estranho homem voltava a se transformar assumindo agora a forma de um corvo e partindo dali em vôo veloz.
Uma sacerdotiza ali presente comenta após a partida do estranho homem - Estes servos do norte me intrigam. Se não fosse pelo histórico que Tjener possui, até poderia supor que o mesmo conspira contra nós.
Outro indivíduo, desta vez um mago retrucou - Não diga então esta baboseira Dama Catrina, pois Tjener sempre esteve ajudando este planeta assim como as Terras Distantes.
O mago usava um manto longo e roxo onde diversos olhos fechados estavam desenhados. Se aquele manto era mágico não estava perceptível. Era um homem com seus quarenta e cinco anos, que demonstrava o peso da velhice através de rugas e fios cinzas em sua longa barba. Todos calaram-se e respeitaram a vontade do mago, pois de fato este era de longe o mais importante dos oficiais da organização, por ser o líder. O mesmo moveu-se para a porta e convidou os demais oficiais para seguí-lo.
Dirigiram-se para o porto e deram ordens para convocar todos os soldados. Quando todos foram reunidos perante o chamado da trombeta, o líder fez seu discurso - Sejam todos bem vindos a Aurora Prateada. Estaremos partindo imediatamente para o norte onde está instalada a nossa base de operações, uma vez que as forças do Flagelo do Lord dos Mortos Vivos encontram-se lá.
Alguns múrmurios deram início, mas o líder continuou - Estejam informados senhores que vocês ainda não fazem parte ainda desta organização, mas que ainda virá a ocorrer o teste para sua aceitação. Então embarquem e vamos partir. Para aqueles que ainda estiverem com dúvidas, decidam logo o seu futuro.
Sem mais hesitações os veteranos e oficiais embarcaram, seguidos pela maioria dos recrutas. Ainda houve alguns que resolveram ficar, com medo de morrerem nas mãos do destino.
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