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Published: 2011-03-21 15:46:39 +0000 UTC; Views: 396; Favourites: 0; Downloads: 1
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Description
Teste de AdmissãoA nevoa era densa, chegando a uma altura de 10 metros acima da superfície da água e impedindo os recém-chegados de verem a costa. Magos, feiticeiros e clérigos faziam uso de magia para ter certeza de que a frente não havia perigo, e até aquele momento nada apontava que haveria, mas isso não confortava os demais recrutas e veterenos que não faziam uso de magia. Um arqueiro em cada navio, disparava a cada minuto uma flecha com fogo, a frente visando verificar o com longe estariam da costa. E não demorou até alguém ver a terra e gritar - Teeeeerra!
Um momento de alívio passou por todos, mas não se sustentou durante muito tempo, pois logo o mesmo indivíduo que havia visto terra gritava outra mensagem - A terra está coberta de sangue e esqueletos!
As tropas levantaram a guarda, com escudos e espadas, machados e martelos, magia arcana ou divina todos aguardavam o pior. Os navios foram ancorando nas praias, e sem maiores hesitações todos desciam para enfrentar o que quer estivesse lá. Foi então que todos entenderam o que eram: esqueletos de antigos guerreiros com armas já enferrujadas. O sangue era estranho de fato, mas já era velho. Um veterano riu diante da situação, e alguns o acompanharam, mas todas os recrutas permaneceram em silêncio.
Não demorou muito para descarregar os suprimentos, cavalos e armamento dos navios, que assim que estavam livres partiram. Os veteranos subiram nos cavalos, os trabalhadores nas carroças com os suprimentos e armas, e todas partiram, exceto pelos recrutas. Estes ficaram na praia com um pequeno grupo de oficiais. Entre estes estava Gimily, que era o oficial de maior patente, e que resolveu tomar a palavra.
- Senhores e senhoritas, vocês irão passar agora pelo teste de admissão. É um teste simples, mas que demandará de vocês trabalho em equipe e uso de suas habilidades.
Um homem de cabelo negro, liso e batido no rosto, quase do tamanho do anão, pergunta - Mas que merda que o senhor quer de nós?
Gimily sequer olha o indivíduo, mas prossegue com a explicação - Formem grupos de até 6 pessoas, e partam rumo ao nordeste. O objetivo de vocês é chegar até a base da Aurora Prateada. Aqueles que chegarem serão aceitos na organização.
O mesmo homem baixo retorna a perguntar - E para aqueles que não chegarem lá?
Gimily apenas abre um sorriso sarcástico como resposta. Os demais oficiais apenas vão até os recrutas e dão para cada grupo um mapa do local. Com isso feito, os oficiais se juntam novamente, e por uso da magia eles desaparecem dali, deixando os recrutas sozinhos.
Por afinidade ou simplesmente por conviniência grupos vão sendo formados, e partem sem maiores hesitações. Dentre os recrutas um grupo chama atenção, não pelo fato de ficar para trás enquanto os demais afastam-se, mas pelos membros que o compõe. Eram exatamente aqueles que haviam resgatado a criança naquele pantâno. Os aventureiros perceberam que juntos desempenhavam um bom trabalho, então porque não continuar juntos? Era um grupo diversificado, contendo um indivíduo para cada função necessária.
Um ex-assassino, que buscava segurança nas mãos da Aurora Prateada, continha informações de uma organização secreta, e habilidades que seriam muito úteis ao grupo. Ao seu lado estava um feiticeiro, que havia perdido sua memória a muito, e agora buscava por meio da magia a razão de ser. Mal sabia que as respostas para suas perguntas, mudariam a vida de todos e não apenas de si mesmo. O grupo contava, para sua alegria, de um clérigo que unia suas habilidades divinas com o poder arcano e poderia assim defender-se por conta própria, enquanto sustentava o grupo.
Como equipe de linha de frente, estava um paladino muito sábio e de grande poder. Uma guerreira feroz e muito bela, juntamente com um arqueiro astuto. Suas histórias passadas ainda haveriam de ser reveladas, mas naquele momento o que importava era a sobrevivência. O arqueiro deu início a conversa:
- Prazer em conhecê-los senhores, podem chamar-me de Unir Silverblade. Este paladino a meu lado é Uthred e está bela donzela...
A guerreira o corta com um olhar seco e uma frase de aviso - Cuidado onde pisa elfo...
Unir abria um sorriso - Corrigindo-me, esta poderosa e feroz guerreira é Raak.
Os demais respondiam apresentando-se.
O clérigo fazia um sinal de seu deus - Sou Lexar, muito prazer.
O feiticeiro por sua vez olhou para cada um e respondeu em seu tom rude - Gilsus...
E o ex-assassino tirou seu chapéu - Arguss.
Unir então finaliza a conversa - Bem já sabemos como cada um opera, vamos então partindo e no caminho poderemos até mesmo conversar mais.
Uthred reclama enquanto corria - E você disse que a lagoa era segura!
O arqueiro responde - Não! Eu disse que ACHAVA que era segura!
Gilsus, cansado, para e vira-se para trás com um mau humor descomunal - A vai se fuder, não acordei hoje com animo para ficar correndo.
Movimentou seus braços realizando os gestos necessários, fazendo com que uma energia azul percorre-se seus braços, e com palavras para finalizar a magia, lançava uma poderosa proteção - Muralha de fogo!
Uma muralha surgia do chão, e cortava deis da margem do lago até a fronteira da floresta, barrando a movimentação de diversos mortos-vivos. Algumas das criaturas não compreendendo o risco prosseguiram, mas apenas foram carbonizadas na barreira de fogo. Lexar curava aqueles que estavam feridos, e tirava a fadiga do feiticeiro, em seguida falou - Temos que continuar, essa muralha não irá segurá-los para sempre.
Unir apontava para um morro que mostrava ser o mais alto da região - Para lá! Teremos uma visão melhor do local e poderemos saber quem ou o que está vindo em nosso encalço.
Ninguém argumentou contra e partiram em direção a elevação. Tiveram que atravessar a floresta, o que não atraiu Raak e Uthred que teriam pouco espaço para atacar ou se defender, mas era aquilo ou as estradas. Antigamente as estradas da floresta de Darrow eram as melhores do reino, e as criaturas da floresta mantinham-se longe, permitindo viajantes atravessar sem grande problemas. Mas atualmente tudo pertencia ao Senhor dos Mortos Vivos, e as criaturas da floresta eram agora mutações bestiais que atacavam pelo simples prazer da matança.
Parando apenas para pequenos descansos e verificar se seus inimigos ainda os perseguiam, o grupo conseguiu chegar até a base do morro em algumas horas. Dali tinham que subir em fila única, tomando cuidado onde pisavam e sempre alertas sobre o que poderia vir da retaguarda. Quando conseguiram chegar no topo visualizaram tudo que queriam: as terras infestadas do norte. Conseguiram ver outras equipes, e esta visão foi desanimadora. Muitas equipes enfrentavam mortos-vivos e morriam no processo, outros encontravam com mercenários contratados pela Rainha dos Esquecidos e eram capturados para virarem escravos.
Mas alguns conseguiam chegar na base da Aurora Prateada, e isso animava o grupo, apesar de que a distância era absurda. Todos tiveram a ideia de dormir ali mesmo e na manha seguinte partiriam rumo a base, mas o barulho de mortos vivos aproximando-se descartou o plano imediatamente. Gilsus mais mau humorado que antes suspirou profundamente e começou a realizar mais uma magia, desta vez apenas pronunciou as palavras corretas - Forma physica mutare...
A energia arcana circulava seu corpo e aos poucos o transformava em uma pequena águia. Sem tentar explicar ao grupo o que pretendia, o feiticeiro em sua nova forma, partia em vôo em direção a base da Aurora Prateada. O grupo a princípio pensou que ele havia fugido, mas resolveram mudar a opinião, pois poderia ser um meio de pedir ajuda. Arrumaram-se da melhor maneira que podiam, e aguardaram pelo pior. E este já estava subindo o morro.
...
O tempo perdido voando foi de fato muito menor comparado com o que seria andando. E assim que chegou na base Gilsus buscou Gimily para pedir-lhe ajuda. Ao encontrá-lo saiu de sua forma alada e fez uma reverência ao anão - Mestre Gimily, por favor, meu grupo precisa de ajuda.
O anão olhou para Gilsus e respondeu - Vocês estão sobre aprovação, não posso os auxiliar enquanto estiverem fazendo o teste.
- Mas senhor...
- Mas disse que deveriam fazer trabalho em equipe para se ajudar.
- Sim senhor, mas com o que temos não podemos lidar contra os mortos-vivos.
- Recruta, talvez a resposta da pergunta que te farei será útil: se você combinar as habilidades de duas equipes o que terá no final?
Gilsus refletiu e respondeu - O mesmo esforço que seria feito em uma equipe maior.
Gimily sorriu e o feiticeiro compreendeu. Levantou-se sem agradecer buscando outra equipe. Não demorou para encontrar, mas apenas três indivíduos estavam aptos a ajudar: um druida, um guerreiro e um mago. Trabalhando com o que tinham, os quatro elaboraram um plano e o colocaram em execução.
...
Raak irada pela última flecha, que quase cortou-lhe a orelha, grita- Cuidado com estas flechas Unir!
- Sim senhora!
Arguss que havia conseguido uma lança de um dos mortos-vivos golpeava os inimigos por debaixo das pernas dos "Linha-de-Frente". Lexar ficava logo atrás curando sempre que necessário, e Unir ficava no topo do morro disparando suas flechas. Se fossem trinta davam conta facilmente; contra cinquenta teriam alguns problemas, mas fariam o possível; mas contra cem, era impossível. E para os grande ouvidos do elfo, o barulho de algo grande aproximando por trás, causava-lhe um frio na espinha. Quando olhou para trás com três flechas no arco visualizou uma esperança. Gilsus voltava voando por meio da magia, trazendo consigo três outros aliados.
O druida havia se transformado em um grifo e com suas garras e dorço conseguiu resgatar Uthred, Raak e Arguss. O mago lançou suas duas últimas magias de vôo e deu esta habilidade magica para Lexar e Unir. Gilsus apenas lançou bolas e muralhas de fogo para retardar os mortos-vivos.
Quando retornaram para a base da Aurora Prateada, já era noite, mas Gimily os aguardava com um sorriso. Todos pousaram exaustos. O líder anão chamou bardos, e outros membros da organização para festejar a chegada da última equipe. De quinze equipes apenas oito haviam chegado.
