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Published: 2003-10-08 09:57:14 +0000 UTC; Views: 222; Favourites: 0; Downloads: 30
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Description
NoiteÉ tristemente tarde, o sol já se pôs à tanto tempo e a lua cheia já ilumina pacientemente o espaço envolvente no seu ponto mais alto. Está uma noite deliciosa para estar na rua, nesta linda noite de meio de verão.
O céu estrelado, aberto ante mim, revelando-me segredos que não os entendos, e no seu centro a lua, imperial, vestida com uma túnica de seda cor d'oiro, observando-me quieto e mortalmente parado, vendo-se reflectida no parado lago prostrado à minha frente, onde uma queda-de-água, suave e fluida, imite um som delicado e místico, chamando-me, chamando a noite.
O ar cheio destes sons é agora acompanhado por murmúrios da leve brisa, repleta de cheiros exóticos de todas as flores que me rodeiam, elas que se abriram e libertaram para ver o céu estrelado.
Estou aqui, sentado numa rocha, rodeado por delicados sussurros, pela doce fala da queda-de-água, pequena, limpa, suave, vendo o céu e a lua caídos na superfície do lago, sorrindo, brincando. Aqui estou, parado, sossegado, meditando no que me envolve, fechado sobre mim mesmo, vendo a lua, redonda, iluminada, pacífica, serena, consciente de si e de mim. Que relatos da história poderia fazer?
Nenhum... - oiço, com um levantar suave da brisa, escuto algo não meu, de ninguém. Deliro aqui?
A brisa abranda até pouco a sentir envolver-me, deixa apenas a marca da sua presença, uma refinada escolha de aromas e fragâncias adocicadas e suaves, colhidas das árvores e flores que me cercam. Tudo parece parar por momentos; algo se passa, algo sombrio, será? Espero, simplesmente espero...
Das sombras emerge uma coruja em voo rápido e definido, passa por mim indiferente à minha presença e lança-se ao chão... para tudo outra vez... e volta a lançar-se em voo a coruja, mais calma com algo nas garras, um rato, que servirá de alimento à coruja e talvez a pequenas corujas, que o tempo o dirá. A vida encetou outro drama de vida e morte, desta vez à minha frente, nada pude fazer, nem devia, a vida è feita de pequenos dramas.
De novo, a calma volta, volta a brisa, os sussurros, a animação anterior a este drama volta. O tempo passa devagar, eu sinto-o, nada posso fazer, nada quero fazer.
Divago entre pensamentos e ideias, debato a minha existência, a minha sorte, os meus sentimentos... um ruído... a vida... passos abafados... o drama que aconteceu na minha presença... perto de mim... a vida, sempre ela... algo envolve-me o pescoço e pára. Viro a cabeça e recebo um beijo ternurento, os braços que me envolvem apertam-me ligeiramente, num abraço cheio de ternura e algo mais, levanto-me e tenho uma visão!
O cabelo longo e escuro, cor de ouro no sítio onde a lua a beija o cabelo, esvoaçando levemente à medida que a brisa em rajadas mais fortes toca nos finos cabelos. A cara bela, escultural, de uma oval perfeita, branca. A conjugação de sombras e da luz revela os seus olhos verdes, com a íris preta, fixando os meus e emanando ternura e afecto. O seu corpo, na mais esbelta forma feminina, coberto por um robe de seda semi-transparente justo ao corpo , mostrando o delineamento firme dos seus seios , querendo sair livres do robe. Os seus braços despidos, caídos, iluminados por raios de luz lunar que lá conseguem cheguar, brilham numa linda cor de marfim.
Não saío do meu lugar, ela delicadamente dá um passo e, ajoelhando-se, coloca a mão na superfície espelhada do lago. O homogénio afastar de pequenas ondas quebram o espelho, deixando de reflectir as estrelas a brincar e a lua desvanece, perde se tudo. Avistou um nenúfar em flor, de rosa pálida, aberta, a ver a beleza da noite, ela toca-lhe e algo se liberta, a magia da noite volta toda de um só momento e eu e ela abraçamo-nos novamente.
Voltamos para casa, de mãos dadas, partilhando um amor por nós e pelo o que nos rodeia, desejo-a agora mais que nunca, como nunca desejei ninguém.
Estamos agora no quarto com a janela ainda aberta, sendo penetrada por todas as fragâncias da noite, lhe tiro o robe de seda e, despidos de todos os preconceitos e roupa, entregamo-nos ao maior prazer, fazemos amor e rodeados da maior beleza sentimos-nos fundidos e atijimos o extase da nossa breve existência.
Acordo, é de manhã.
Estou sozinho na minha cama, acordo feliz e triste ao mesmo tempo, preparo-me e saío para mais um dia. Apanho os transportes públicos sempre a pensar no que aconteceu. Distraído, absorvido em mim, após passar a estação de Caxias sem parar vejo o Tejo a beijar calmamente o paredão e vejo-a.
Está vestida de jeans pretos e uma camisola branca, por momentos vejo-lhe os olhos verdes, felizes e brilhantes, antes de colocar os óculos de sol. Ela também olha para o rio. Sinto que a amo mas não a conheço. Foi tudo um sonho ídilico, quase...
Luis Bandarra animation
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Comments: 5
rychas [2003-10-08 21:51:15 +0000 UTC]
Gosto particularmente das descrições detalhadas que fazes. Muito à eça de queiros
Gostei de ler.
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In-Apt [2003-10-08 11:36:39 +0000 UTC]
Olá Luís...
Antes de mais, obrigado pelo texto. É sempre bom ler algo, e ver as pessoas a participar na ~scriptu
Quanto aos comentários, tenho q te dizer que gostei da ideia e das imagens que criaste; apesar disso, tbm tenho que dizer que achei algumas pouco originais (ñ q ñ sejam boas, mas poderias tentar algo mais inovador), e também acho q repetes um bocadinho algumas palavras [lembro-me agora de "cabelo" repetido 3 vezes numa frase...].
Outro ponto que poderias tomar mais atençã o é a repetição sonora de algumas palavras (terminadas em "mente", "ão", etc), para evitar um ritmo não desejado. A última sugestão é talvez seres mais conciso nalgumas coisas, tentar não adjectivar demasiado deixando assim pouco espaço para as emoções próprias do leitor.
Espero q ñ leves a mal a minha CC (crí tica construtiva), mas estou a tentar ajudar-te como espero que tu e todos me ajudem a mim...
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animation In reply to In-Apt [2003-10-08 16:21:55 +0000 UTC]
As criticas são sempre bem vindas, de quem seja
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